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Cruz e Souza

A Caveira

I

Olhos que foram olhos, dous buracos

Agora, fundos, no ondular da poeira...

Nem negros, nem azuis e nem opacos.

Caveira!

II

Nariz de linhas, correções audazes

De expressão aquilina e feiticeira,

Onde os olfatos virginais, falazes?!

Caveira! Caveira!!

III

Boca de dentes límpidos e finos,

De curva leve, original, ligeira,

Que é feito dos teus risos cristalinos?!

Caveira! Caveira!! Caveira!!!

 

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Vinho Negro

O vinho negro do imortal pecado

Envenenou nossas humanas veias

Como fascinações de atras sereias

De um inferno sinistro e perfumado.

O sangue canta, o sol maravilhado

Do nosso corpo, em ondas fartas, cheias,

Como que quer rasgar essas cadeias

Em que a carne o retém acorrentado.

E o sangue chama vinho negro e quente

Do pecado letal, impenitente,

O vinho negro do pecado inquieto.

E tudo nesse vinho mais se apura,

Ganha outra graça, forma e formosura,

Grave beleza de esplendor secreto.